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Educação Física Professor Rodolfo

 
Quem abomina a prática de atividade física deve estar vibrando com um anúncio de cientistas das universidades da Dinamarca e Austrália. Eles estariam próximos da criação de uma pílula que simula os efeitos do exercício no corpo humano. Isso porque as pesquisas realizadas os levaram a descoberta do que acontece dentro dos músculos no nível molecular quando são exercitados.

O projeto da pílula do exercício físico é uma criação conjunta do Departamento de Fisiologia Molecular da Universidade de Copenhague, da Dinamarca e do Centre de Sidney, da Austrália.

Embora já esteja provocando polêmica, o objetivo da pílula do dia seguinte não é facilitar a vida dos sedentários e sim ajudar obesos mórbidos e inválidos. No entanto, especialistas estão preocupados que cresçam o número de sedentários, que sem a pílula do exercício já é preocupante.

Se por um lado especialistas garantem que o corpo humano não possui DNA programado para a imobilidade, os pesquisadores descobriram mais de mil reações dos músculos expostos à atividade física. A técnica utilizada foi a denominada espectrometria de massas, que identifica moléculas. Foram avaliadas biópsias moleculares de quatro homens saudáveis antes e depois de 10 minutos de prática de intensos exercícios.

A Universidade de Sydney emitiu uma nota afirmando que a descoberta levará a divulgação de outros mecanismos biológicos ligados ao exercício físico e futuras pesquisas fisiológicas.

É esperar para ver. Enquanto isso o melhor mesmo é fazer da prática de atividade física um hábito regular. O organismo agradece.
 

Não é musculação, treinamento funcional, corrida, ioga ou qualquer outra modalidade de exercício físico. A grande aposta fitness para 2017 cabe no bolso (ou na bolsa), conta passos, calorias, batimentos e ainda zela pelo seu sono. As wearables technologies (tecnologias "vestíveis", em tradução livre) encabeçam a lista anual do Colégio Americano de Medicina do Esporte (American College of Sports Medicine/ ACSM) — maior organização de medicina do esporte e educação física do mundo — divulgada no fim de outubro.

Esta é a segunda vez que as tecnologias aparecem no topo da lista, ficando à frente de muitas práticas consideradas "coqueluches" por profissionais da área. Até o final de 2014, quando foram elencadas as tendências para 2015, essas ferramentas de controle do exercício sequer figuravam as dez mais.

 Para chegar às 20 tendências do próximo ano, a entidade ouviu mais de 1,8 mil profissionais da saúde e da área de educação física.

Além das tecnologias, a 11ª edição da pesquisa também contemplou atividades como treinamento com peso do corpo, ioga, musculação e HIIT.

1. Tecnologias "vestíveis"

Contar passos, verificar batimentos cardíacos, avisar quando você precisa levantar da cadeira e dar uma caminhada são apenas algumas das possibilidades das ferramentas chamadas de "tecnologias vestíveis". Seja no formato de relógios ou pulseiras, elas reúnem informações sobre a rotina do usuário e vão além: são capazes de interpretar esses dados, transmiti-los para profissionais (nutricionista, médico, profissional de educação física) e motivar o paciente.


2. Treinamentos com o peso corporal

Enquanto a indústria que fomenta as academias corre atrás de tecnologias para oferecer equipamentos de última geração, essa tendência que alcançou o segundo lugar resgata a simplicidade do exercício. Usando apenas o peso do corpo ou pouquíssimas ferramentas, esse tipo de treinamento traz uma nova roupagem para uma moda dos anos 1980.

Além de romper com a sofisticação dos aparelhos, essa modalidade agrega benefícios importantes, pois acabam por repetir atividades rotineiras como subir degraus, saltar ou agachar.


3. High-Intensity Interval Training (HIIT)

Contrariando uma crença da década de 80, quando se acreditava que emagrecimento e resistência cardiorrespiratória só eram possíveis com a prática de exercícios aeróbicos de baixa a moderada intensidade e com longa duração, o HIIT trouxe a proposta de atividades intensas e de curta duração. Há comprovação científica que apenas 30 minutos de atividade por dia são suficientes para obter bons resultados para a saúde. Como todo exercício físico, a indicação é que a pessoa procure um médico antes de se jogar na modalidade.


4. Profissionais graduados e experientes

Este item reflete uma realidade mais específica do mercado norte-americano, no qual os personal trainers não precisam ser graduados em Educação Física. No Brasil, eu substituiria esse item pela importância da graduação em Educação Física com certificações adicionais.


5. Treinamento de força

Entra ano, sai ano, a boa e velha musculação segue como uma tendência.

A grande sacada da modalidade é que ela permite que pessoas diferentes níveis de aptidão física façam os exercícios, sempre adaptados para cada aluno. Como resultados, ela auxilia na correção postural, reduz as dores do corpo, dá força e resistência muscular entre outros. Também atuam no reforço das articulações.


6. Treinamento em grupo

Muitas pessoas acharam que as aulas coletivas iam morrer, no entanto, elas têm cada vez mais adeptos.

E não faltam boas razões para este fenômeno. Treinar em grupo dá uma motivação extra na hora de sair de casa, pois a aula acaba se tornando divertida e um aluno puxa o outro na hora de mexer o corpo. Além disso, essas práticas ainda costumam ser mais baratas, diminuindo o investimento necessário para se exercitar.


7. Exercício como medicamento

Não faltam estudos para comprovar os inúmeros benefícios dos exercícios para a saúde e a qualidade de vida. Há algum tempo, inclusive, eles começaram a ser indicados como coadjuvantes no tratamento de algumas doenças.

— Muitas pessoas com hipertensão leve voltam a ter níveis normais de pressão e não precisam mais tomar remédios.

Problemas psíquicos como depressão e ansiedade também podem ser melhorados com a prática frequente. Doenças ortopédicas são outras que comportam indicação de exercícios.


8. Ioga

Parar, cuidar da respiração, acalmar o corpo e a mente são alguns dos propósitos da prática.

Dentre os benefícios do ioga, pode-se citar bem-estar físico, melhora do sono e da respiração, aumento da flexibilidade, fortalecimento da musculatura, autoconhecimento e redução do estresse físico e emocional.


9.Personal trainer

A atuação destes profissionais é mais um fator de motivação importante, assim como as aulas em grupo. No entanto, diferente das atividades coletivas, o personal trainer está ao lado do aluno o tempo todo, prestando orientações sobre o treinamento e corrigindo os movimentos. Além disso, o treino é exclusivo e busca atingir os objetivos pré-estabelecidos pelo aluno. O principal empecilho costuma ser o custo elevado do serviço.


10. Exercício e perda de peso

Quando o assunto é emagrecimento,não tem como não citar a dobradinha alimentação equilibrada e exercício físico regular.

Era um problema de adultos, mas agora tem sido de crianças e adolescentes — finaliza.

http://www.ciaathletica.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/02/AVALIACAO-FISICA-532x355.jpg

Muita gente que se matricula numa academia de ginastica desistem nos primeiros 45 dias. A estimativa é da Associação Brasileira de Academias (Acad) e os motivos que levam a essa decisão são os mais variados.

Há vários motivos para essa desmotivação.

A falta de atenção dos professores no espaço em que estão matriculados é uma delas. Como a pessoa não tem o hábito de praticar atividades físicas e quase sempre estão com vergonha do corpo, os profissionais não podem apenas montar o programa e abandonar o aluno na sala. Uma das funções dos professores identificar os mais tímidos e fazer um bom trabalho para que eles se relacionem melhor com as pessoas e com os aparelhos em que farão as atividades.

Por isso, é  importante assim que o aluno entra na academia montar a rotina de atividades e levar em consideração as restrições físicas, como desconforto em alguma prática, tempo que está distante de atividades físicas e período que pode ficar na academia. . O fator bem estar também precisa ser levado em conta para avaliar alguns conceitos como autoestima, disciplina, flexibilidade e força, para depois gerar um gráfico comparativo para mostrar a evolução obtida a cada três meses.

No início das atividades, entretanto, é preciso também ser claro e transparente com o aluno sobre os exercícios. É essencial orientar o aluno das mudanças que acontecem no organismo e de possíveis dores que ele pode sentir pelo esforço físico. O ideal é sentir apenas que praticou atividades físicas, especialmente os sedentários, e não uma dor insuportável por uma semana. Sem dúvida, quando o aluno já sabe dos efeitos dos exercícios, se sente mais seguro e as chances de ficar uma semana sem voltar às aulas pelo trauma das dores iniciais diminui.

Para estimular os alunos a frequentar o espaço é importante criar compromissos. Uma boa forma de lidar com pessoas que costumam faltar é agendar algumas atividades. Marcar datas para mudanças na série de exercícios, convidar para outras aulas que a academia oferece, isso tudo contribui para o aluno continuar frequentando.

É fundamental acompanhar a frequência dos alunos, pois isto também é responsabilidade do professor. Quando os alunos faltam, mandamos e-mail, SMS com mensagens de incentivo para voltar ao espaço. Esse tratamento pode fazer a diferença, pois mostra que o professor está preocupado com o aluno. Outra maneira de incentivo é mostrar os resultados práticos que foram obtidos.
Depois de três meses avalia-se os parâmetros físicos, medidas de circunferência, peso, se ganhou massa magra e outros aspectos que os estimulam a dar continuidade à academia



Qual seria a justificativa para termos Educação Física em todas as séries de escolaridade? Sei que a maioria dos professores é capaz de dar justificativas, algumas boas, outras nem tanto, como eu também. Mas a questão continua porque até hoje a inclusão da Educação Física não está justificada na legislação, nem no seio da profissão, nem no bojo da estrutura educacional e nem perante a sociedade.  Isto desestrutura a profissão e a expõe a improvisações. Acredito que isto não seja exclusividade da Educação Física mas de muitas disciplinas.

A legislação atual nos oferece o modelo de iniciação esportiva. Ora isto não é justificativa educacional. Se o propósito da educação é a de formar indivíduos e cidadãos íntegros não podemos ter, como argumento para nossa profissão de incentivar a formação de atletas. Ser atleta não é tão importante assim  para a vida para que isto seja objetivo educacional central. Na verdade esta legislação foi-nos imposta pelos militares porque estavam descontentes com o desempenho do Brasil nas competições internacionais. Impuseram assim esta lei que, além de mal redigida, não produziu nenhum efeito pretendido. Nem educacional nem nas competições internacionais.

A falta desta justificativa impede uma série de medidas. Dar Educação Física deve ser necessário para que se consiga cumprir os objetivos educacionais que a escola persegue. Sabemos, da educação, que a escola procura educar jovens para que se tornem indivíduos sãos, capazes, críticos e autônomos, bons cidadãos, interessados e partícipes na sociedade em que vivem, inclusive para quererem modificá-la se acharem isto necessário. Seria uma forma simples em linguagem simples de enunciar os objetivos da educação. A justificativa da Educação Física teria que se enquadrar nos objetivos da educação.

Certamente fazer os jovens melhores atletas internacionais não cabe dentro destes objetivos educacionais como objetivo maior. Se coubesse saberíamos que os que não fossem bons atletas não seriam bons cidadãos.  Se a legislação não é coerente então que Educação Física damos nas escolas? Como justificá-la?

Acredito que o caminho da resposta esteja em outra pergunta: o que a Educação Física pode fazer para ajudar os jovens a serem melhores indivíduos e cidadãos? Na sociedade de hoje sabemos que a performance física não é mais importante em si, mas sim a qualidade de vida. Sabemos, por outro lado, que o sedentarismo é prejudicial aos indivíduos. Teríamos então uma Educação Física voltada para combater o sedentarismo, para a aquisição de hábitos de atividade física. Mas seria uma atividade física voltada para os aspectos de saúde e bem estar, não para a performance física. Mas além disto o que pode a Educação Física dar e ajudar na formação de indivíduos e cidadãos que as outras disciplinas não podem (pelo menos sozinhas ou com a mesma eficiência)?

Deve também estar claro que temos uma faixa enorme de alunos na faixa dos que lutam pela sobrevivência, prisioneiros que são da pobreza e miséria. Não podemos aceitar iniciação esportiva e/ou melhora da performance como objetivos principais da Educação Física para esta clientela. Que objetivos deverá então ter a Educação Física para estes alunos?

Talvez a maior riqueza da Educação Física em relação às outras disciplinas está em que ela não é tão dependente em passar conhecimentos. As outras disciplinas estão inteiramente vinculadas ao conhecimento. Conhecimentos que, argumenta-se, são necessários para uma vida melhor, como saber fazer contas, saber se comunicar, entender a história, etc.. Há também uma seriação nestes conhecimentos. Aprende-se a contar, depois as quatro operações, depois outras manipulações numéricas. Isto ocorre em todas as disciplinas, sempre em torno de conhecimento.

Esta seriação justifica (em termos) o uso da reprovação. Um aluno não pode aprender equação do primeiro grau antes de aprender as quatro operações e assim por diante.

A Educação Física não tem esta característica, nem de conhecimento nem de uma seriação definida. Tanto que há uma enorme liberdade na escolha do que se vai oferecer. Não há, por exemplo, nenhum motivo para que se dê voleibol antes de basquete, ou basquete depois de futebol. Mais do que isto, não há nenhum motivo para que se dê qualquer uma atividade específica. As atividades são meio e não fim em si. Nenhuma delas é  pré-requisito para as demais. Saber dar saque de voleibol, ou saber fazer um passe no basquete ou dar chute no futebol são pré-requisitos para nada. Muito menos para passar de ano.

Repare que não há conteúdo obrigatório na nossa disciplina, há total liberdade na escolha nas atividades que serão oferecidas aos alunos. As escolas, bem ou mal, dão o mesmo conteúdo em todas as disciplinas, exceto em Educação Física (o que faz sentido).

A conclusão que tiro dai é que estes ensinamentos de gestos  não são importantes em si mesmos. Na verdade, repito,  a atividade é um meio, não é um fim. Ela é meio para combater o sedentarismo, mas saber dar saque ou saber dar um arremesso não pode ser tão importante para todos os indivíduos e cidadãos de uma sociedade. Ser sedentário, ao contrário, é algo em detrimento de qualquer indivíduo e  cidadão, que sofrerá limitações por isto. O importante é que se faça atividade física, mas não necessariamente esta ou aquela atividade.

Tomaz L. Ribeiro


Em pesquisa que entrevistou 572 escolas, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mostra que apenas 51% dos colégios públicos do Brasil possuem professores de Educação Física e menos da metade dos centros de ensino do país (44,9%), incluindo-se aí as instituições privadas, conta com programa específicos para promover atividades físicas no ambiente escolar.
Segundo a agência da ONU, diante desses baixos índices, marcos legais estabelecendo a obrigatoriedade da disciplina são importantes para garantir a promoção das atividades físicas nas escolas.
Aula de educação física em escola municipal da Zona Oeste do Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil / Tânia Rêgo

Apenas 51% dos colégios públicos do Brasil possuem professores de Educação Física e menos da metade dos centros de ensino do país (44,9%), incluindo-se aí as instituições privadas, conta com programa específicos para promover atividades físicas no ambiente escolar.
Os números são de um levantamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que entrevistou 572 escolas de diferentes regiões e níveis socioeconômicos do Brasil — e de todos os níveis de ensino — para avaliar se esses espaços oferecem ou não estímulos à prática de esportes e exercícios.
O objetivo do documento é propor um modelo de aprendizagem — chamado "Escolas Ativas" — que contemple o movimento e as atividades físicas como parte integral do processo de formação. A amostragem, porém, revela que o Brasil está longe de considerar o esporte como uma ferramenta de ensino e empoderamento dos jovens.
Para Andréa Bolzon, uma das coordenadoras da pesquisa e atual responsável pelo Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional do PNUD, a educação brasileira ainda é dominada por "um 'paradigma instrucionista' que é calcado por uma perspectiva estreita de que você aprende melhor sentado olhando para o papel".
O relatório lembra que a obrigatoriedade do ensino da Educação Física é determinado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/1996 e 10.793/2003).

A educação física pode ser
uma disciplina agregadora
para diminuir os índices de
desistência escolar.

No levantamento da agência da ONU, apenas 56% das escolas pesquisadas tinham um professor da disciplina em seus quadros docentes. Quando considerada somente a rede particular, o percentual sobe para 74%. Na rede pública, o índice cai para 51%.
Variações significativas também foram identificadas entre regiões do país. Enquanto no Sudeste e no Sul, 82% e 81% dos colégios, respectivamente, tinham profissionais capacitados para orientar alunos na prática de exercícios, no Nordeste e no Norte, os valores verificados foram de 37% e 29%.
Divulgada durante os Jogos Olímpicos Rio 2016, a análise do PNUD aponta que marcos legais como a legislação nacional vigente parecem ser relevantes para a promoção das atividades físicas nas escolas, uma vez que a frequência e o volume das aulas de Educação Física, bem como a presença de professores especialistas parecem estar relacionados às exigências dispostas na lei.

Outros usos do espaço escolar

O relatório da agência da ONU avaliou ainda outros aspectos que podem contribuir para tornar os colégios — e estudantes — brasileiros mais ativos. Entre eles, a realização de pausas para a prática esportiva e a oferta extracurricular de atividades físicas.
Das 149 escolas de Ensino Infantil entrevistadas, 45% propunham aos alunos momentos livres para a realização de exercícios físicos. No Ensino Médio, a proporção cai para apenas 9% das 111 instituições que fizeram parte do levantamento. Nos Ensinos Fundamentais I e II, os índices também foram pouco expressivos — 18% e 11%, respectivamente.

Numa escola que já não é muito amiga
do movimento, se você tira
a educação física (do currículo obrigatório),
será que ela some?

O padrão se inverte quando avaliadas as oportunidades extracurriculares. Dos centros de ensino secundarista, 60% ofereciam atividades físicas fora da grade de disciplinas obrigatória. No Ensino Infantil, o percentual é de 25%. Nos níveis fundamentais da educação, os valores ficaram pouco acima dos 40%.
A pesquisa também perguntou aos gestores das escolas se os estabelecimentos são usados pelos alunos e pela comunidade fora dos dias úteis para a prática de esportes.
Um quinto das instituições são abertas nos finais de semana para que pessoas possam usar as instalações para fazer exercícios. Apenas 16% ofertam programas de atividades físicas nos sábados e domingos. Quando observado o uso efetivo dos equipamentos pela comunidade, o relatório indica que 34% das escolas são aproveitadas pelo público.

O que precisa mudar

Bolzon aponta que, além da falta de pessoal qualificado, outros fatores contribuem para afastar estudantes das atividades físicas. Entre eles, a insistência em modelos de ensino do esporte que privilegiam sempre as mesmas modalidades.
"Falta diversidade", afirma a especialista, para quem a aprendizagem de outras variedades esportivas poderia tornar a Educação Física mais inclusiva, além de driblar desigualdades de gênero.
Leonardo Mataruna, pesquisador da Universidade de Coventry, no Reino Unido, lamenta que a disciplina ainda seja dominada pelo chamado "quarteto fantástico" — a prática de basquete, futebol, voleibol e handebol.
"Quantos outros esportes a gente poderia desenvolver na escola?", questiona, e cita exemplos como o badminton, o golfe e o rúgbi, que podem trabalhar a motricidade grossa e fina dos alunos, bem como as capacidades de percepção do espaço. "É preciso haver um aumento da cultura esportiva não só dos professores, mas de todo o país. Já passou o tempo de discutir apenas futebol e voleibol".
Mataruna lembra ainda de outras atividades físicas, como a dança e a musculação, que poderiam tornar a Educação Física mais atraente para estudantes. "A educação física pode ser uma disciplina agregadora para diminuir os índices de desistência escolar", aposta o especialista.

Brasil tem altos índices de sedentarismo

Segundo Mataruna, é no Ensino Médio que "sugestões e ofertas da escola vão se transformar em hábitos para a vida toda". Em 2015, o Diagnóstico Nacional do Esporte publicado pelo Ministério do Esporte apontava que 45,9% dos brasileiros eram sedentários. Desse grupo, 48% afirmaram ter iniciada a prática de atividades físicas na escola e 45% disseram ter abandonado a prática de exercícios entre os 16 e 24 anos.
A falta de atividades físicas é identificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o quarto fator de risco para a mortalidade a nível global. A agência aponta que o sedentarismo é a causa principal para 27% dos casos de diabetes, 30% das ocorrências de doença arterial coronariana e de 21% a 25% dos episódios de câncer de mama e colorretal.
A OMS destaca que a prática de exercícios pode reduzir as chances de uma pessoa apresentar todas essas doenças e ainda outras patologias, como a depressão, além de reduzir os riscos de fraturas das vértebras e ajudar a controlar o peso.
Para Mataruna, uma maneira de transformar o comportamento dos estudantes — e levá-los a praticar mais exercícios em suas vidas — é apostar na interdisciplinaridade, combinando a prática de esportes ao ensino de outros conteúdos.
A respeito da Reforma do Ensino Médio, cuja proposta inicial em caráter de Medida Provisória acabava com a obrigatoriedade da Educação Física, o especialista aponta que "existe uma redução das oportunidades de interdisciplinaridade".
"Numa escola que já não é muito amiga do movimento, se você tira a educação física (do currículo obrigatório), será que ela some?", questiona Bolzon.
De acordo com a pesquisadora do PNUD, a oferta de atividades físicas é benéfica não apenas por conta dos benefícios para a saúde ou devido às habilidades sociais trazidas pelo esporte, mas também pelas reflexões que podem provocar junto aos alunos.
Segundo ela, as Escolas Ativas podem oferecer conhecimentos que dão autonomia aos alunos, tornando-os aptos a pensar suas relações com o corpo, com padrões de consumo e outras opções de vida e de carreira.
Na semana passada (13), a Câmara dos Deputados aprovou uma emenda que altera o texto da MP e reintroduz a Educação Física na Base Nacional Comum Curricular, que definirá quais conteúdos serão obrigatórios no Ensino Médio.
Ao final de novembro (30), a Comissão Mista da Câmara responsável por avaliar a proposta da reforma já havia emitido um parecer que decidiu pela retomada da obrigatoriedade do ensino de atividades físicas. A lei, tal como modificada pela Câmara, ainda será analisada no Senado.
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